segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DIÁLOGO - Construção sólida e atemporal!


Ao estudarmos as formas de expressão do homem, desde os primórdios de sua existência, percebemos que a essência do diálogo não se resume a fala, mas abrange também as expressões de arte e gestos, pois está presente em toda natureza, pois está totalmente ligado ao conceito de identidade. Isso pode parecer antiquado, mas, o comportamento dos indivíduos comprovam que o diálogo é uma ferramenta importante nas organizações, podendo ser classificada como uma tendência que ressurge no cenário atual. 
O diálogo em uma organização deve começar com a interação entre as pessoas, em busca de interesses comuns. As lideranças empresariais devem usar a comunicação interna como prioridade na busca de uma boa relação com o funcionário.
Porém, a origem desse conceito, propriamente dita, aconteceu a partir da Dialética de Sócrates, com o conceito de retórica, que possui origem política e se resume na capacidade de persuadir ou comover o outro, fundamentada na argumentação, ela pode conduzir o olhar do ouvinte, conforme o posicionamento do loc       utor. Depois da retórica, se deu o surgimento do discurso, com uma fala mais elabora e construída, que segue um pensamento linear de ideias e se caracteriza pela apropriação social, cujos argumentos antecedem o autor, construindo um caráter de verdade e legitimação a fala. Por fim, temos o diálogo contemporâneo, que leva os ouvintes a olhar através dos olhos do locutor, e não por meio deles, formando um compartilhamento de significados.
            Após a trajetória do diálogo, e toda a história de sua formação, podemos fazer uma possível leitura desse conceito e da profundidade de seu significado, principalmente no cenário das organizações, por meio da chamada Complexidade, desenvolvido por Edgar Moris, cujo conceito foi vem da origem dessa palavra (complexus – tecido junto; heterogênio, mas ligados entre si) e que pode ser resumir em três princípios, o dialógico (complementarismo e antagonismo); hologramático (parte que representa o todo e o todo está em cada parte); e a recursividade (produtos e efeitos são causas e produtores).
E por que se aplica na análise das organizações? Porque as enxerga como entidades complexas, sistêmicas e adaptativas, que não podem ser analisadas como sistemas fechados, com um único olhar, sem levar em conta as influências externas. Em outras palavras, as organizações são organismos vivos, cujas transformações e correlações internas estão diretamente ligadas ao externo e seu nível de influência. Se comparadas ao corpo humano, percebemos com mais clareza esses fatores, e ainda, percebemos a importância da comunicação (diálogo), que funciona como sangue, ora, se não houver sangue, não há vida.


Outro conceito desenvolvido foi à relação entre o diálogo e a esfera pública nas organizações, de Jürgen Habermas, filósofo alemão que propõe uma mediação dos laços sociais e atuação na interdependência dos indivíduos. Temos também o chamado modelo de interação dialógica, que estabelece um espaço comum entre a organização e a sociedade, chamado e natureza política, onde encontramos relações mais simétricas, mas também influenciadas pelo diálogo; e o modelo da teoria apreciativa, que apresenta uma abordagem cíclica do foco estratégico, no qual a avaliação estimula a inovação, que estimula a construção (como vai ser a organização ideal?), que estimula a manter, que por sua vez estimula uma nova avaliação. As principais diferenças da teoria apreciativa e do método tradicional é que a primeira tem por princípio que a organização é um livro aberto, que está por ser escrito, por isso se baseia na descoberta, na imaginação e na construção, enquanto o segundo enxerga a organização como um problema, que deve ser solucionado, por isso se baseia em identificar,  analisar e construir um plano de ações (tratamento).

Por fim, podemos concluir que o papel da Comunicação no enquadramento da realidade de um funcionário, que tem não só o papel de prestador de serviços um organização, mas também para uma dada ideologia, é na construção de resultados e na valorização das pessoas como parte fundamental do processo, pois a maneira como se trabalha pode não atingir apenas os objetivos da organização, mas também transbordar resultados, e é a Comunicação que interfere indiretamente no diálogo dentro desse mecanismo, uma vez que se preocupa em estabelecer uma relação estratégica entre receptor e emissor.

Referências: 

Aula ministrada pelo Porf. Willian A. Cerantola, no dia 27 de maio de 2013, ao 3º de Relações Públicas, da Faculdade Cásper Líbero.

ROHDEN, Luiz. O poder da linguagem: a arte retórica de Aristóteles. EDIPUCRS, 1997.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2000.

Nenhum comentário:

Postar um comentário