Ao estudarmos as formas de expressão do homem, desde os primórdios de sua existência, percebemos que a essência do diálogo não se resume a fala, mas abrange também as expressões de arte e gestos, pois está presente em toda natureza, pois está totalmente ligado ao conceito de identidade. Isso pode parecer antiquado, mas, o comportamento dos indivíduos comprovam que o diálogo é uma ferramenta importante nas organizações, podendo ser classificada como uma tendência que ressurge no cenário atual.
O diálogo em
uma organização deve começar com a interação entre as pessoas, em busca de
interesses comuns. As lideranças empresariais devem usar a comunicação interna
como prioridade na busca de uma boa relação com o funcionário.
Porém, a origem desse conceito,
propriamente dita, aconteceu a partir da Dialética de Sócrates, com o conceito
de retórica, que possui origem
política e se resume na capacidade de persuadir ou comover o outro,
fundamentada na argumentação, ela pode conduzir o olhar do ouvinte, conforme o
posicionamento do loc utor. Depois da retórica, se deu o surgimento do discurso, com uma fala mais elabora e
construída, que segue um pensamento linear de ideias e se caracteriza pela
apropriação social, cujos argumentos antecedem o autor, construindo um caráter
de verdade e legitimação a fala. Por fim, temos o diálogo contemporâneo, que leva os ouvintes a olhar através dos olhos
do locutor, e não por meio deles, formando um compartilhamento de significados.
Após a
trajetória do diálogo, e toda a história de sua formação, podemos fazer uma
possível leitura desse conceito e da profundidade de seu significado,
principalmente no cenário das organizações, por meio da chamada Complexidade, desenvolvido por Edgar
Moris, cujo conceito foi vem da origem dessa palavra (complexus – tecido junto; heterogênio, mas ligados entre si) e que
pode ser resumir em três princípios, o dialógico (complementarismo e
antagonismo); hologramático (parte que representa o todo e o todo está em cada
parte); e a recursividade (produtos e efeitos são causas e produtores).
E por que se aplica na análise das
organizações? Porque as enxerga como entidades complexas, sistêmicas e
adaptativas, que não podem ser analisadas como sistemas fechados, com um único
olhar, sem levar em conta as influências externas. Em outras palavras, as
organizações são organismos vivos, cujas transformações e correlações internas
estão diretamente ligadas ao externo e seu nível de influência. Se comparadas
ao corpo humano, percebemos com mais clareza esses fatores, e ainda, percebemos
a importância da comunicação (diálogo), que funciona como sangue, ora, se não
houver sangue, não há vida.
Outro conceito desenvolvido foi à relação entre o diálogo e a esfera pública nas organizações, de Jürgen Habermas, filósofo alemão que propõe uma mediação dos laços sociais e atuação na interdependência dos indivíduos. Temos também o chamado modelo de interação dialógica, que estabelece um espaço comum entre a organização e a sociedade, chamado e natureza política, onde encontramos relações mais simétricas, mas também influenciadas pelo diálogo; e o modelo da teoria apreciativa, que apresenta uma abordagem cíclica do foco estratégico, no qual a avaliação estimula a inovação, que estimula a construção (como vai ser a organização ideal?), que estimula a manter, que por sua vez estimula uma nova avaliação. As principais diferenças da teoria apreciativa e do método
tradicional é que a primeira tem por princípio que a organização é um livro
aberto, que está por ser escrito, por isso se baseia na descoberta, na
imaginação e na construção, enquanto o segundo enxerga a organização como um
problema, que deve ser solucionado, por isso se baseia em identificar, analisar e construir um plano de ações
(tratamento).
Por fim, podemos concluir que o papel
da Comunicação no enquadramento da realidade de um funcionário, que tem não só
o papel de prestador de serviços um organização, mas também para uma dada
ideologia, é na construção de resultados e na valorização das pessoas como
parte fundamental do processo, pois a maneira como se trabalha pode não atingir
apenas os objetivos da organização, mas também transbordar resultados, e é a
Comunicação que interfere indiretamente no diálogo dentro desse mecanismo, uma
vez que se preocupa em estabelecer uma relação estratégica entre receptor e
emissor.
Referências:
Aula ministrada pelo Porf. Willian A. Cerantola, no dia 27 de maio de 2013, ao 3º de Relações Públicas, da Faculdade Cásper Líbero.
ROHDEN, Luiz. O poder da linguagem: a arte retórica de Aristóteles. EDIPUCRS, 1997.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2000.






